Quem alugou o Prince of Persia de 2003 na locadora lembra do truque que mudou o jogo: errou o pulo, segura um botão e a areia do tempo devolve os últimos segundos. Vinte e três anos depois, o clássico da Ubisoft virou exemplo dos dois lados da história dos relançamentos: um remake que se arrastou por mais de cinco anos e acabou cancelado, e a versão original de PC, que o GOG consertou para rodar direito nas máquinas de hoje.
Um remake anunciado em 2020
O remake de Prince of Persia: The Sands of Time foi apresentado no Ubisoft Forward de setembro de 2020, com desenvolvimento dos estúdios Ubisoft Pune e Ubisoft Mumbai, na Índia, e lançamento marcado para 21 de janeiro de 2021 no PC, PS4 e Xbox One. O primeiro trailer foi mal recebido pelos fãs, que acharam o visual simples demais; a Ubisoft respondeu que o estilo era uma escolha intencional.
A data passou para 18 de março de 2021 e, em fevereiro daquele ano, o jogo foi adiado sem data, para entregar, nas palavras da Ubisoft, um remake “que pareça novo e continue fiel ao original”. Em maio de 2022, a Ubisoft Montreal, o mesmo estúdio que fez o jogo de 2003, assumiu o projeto. Em novembro de 2023, a conta oficial da série avisou que o desenvolvimento tinha passado por “um marco interno importante”, e no Ubisoft Forward de junho de 2024 veio a nova previsão: 2026.
O cancelamento, em janeiro de 2026
A previsão não se cumpriu. Em 21 de janeiro de 2026, a Ubisoft anunciou uma reorganização interna que cancelou seis jogos, quatro deles nunca anunciados, e deu mais tempo de desenvolvimento a outros sete. O remake estava na lista. A equipe se despediu nas redes da série: “Embora o projeto tivesse potencial real, não conseguimos chegar ao nível de qualidade que vocês merecem, e continuar exigiria mais tempo e investimento do que poderíamos assumir com responsabilidade.”
A marca segue viva: a Ubisoft citou Prince of Persia entre as séries de uma das suas novas divisões criativas, a dedicada a mundos de fantasia e jogos de história, e a série teve lançamento recente com Prince of Persia: The Lost Crown, de 2024.
Enquanto isso, o original voltou a rodar
Do outro lado do balcão, o jogo de 2003 ganhou uma restauração. Em agosto de 2026, o GOG contou como colocou The Sands of Time no seu programa de preservação. O problema era antigo: como tantos jogos da época, o original amarrava física, colisão e velocidade à taxa de quadros, e o campo de visão ao formato 4:3. Em PCs modernos, rodando mais rápido do que o previsto, o Príncipe atravessava paredes, caía do cenário e as escadas paravam de funcionar.
A solução foi um conjunto de bibliotecas que ficam entre o jogo e o DirectX 9 e sabem exatamente quando cada quadro começa e termina. Com isso, a versão do GOG roda a 60 quadros por segundo sem depender de sincronização vertical, aceita resoluções atuais e recalcula o campo de visão para telas widescreen. Segundo a loja, foi o primeiro jogo a receber esse tratamento, e a mesma base pode servir a outros jogos de DirectX 9 daquela geração.
A lição da locadora
Quem viveu a época sabe que um bom jogo envelhece melhor do que muita promessa. O remake ficou pelo caminho; o original, com nota 92 no Metacritic e mais de 14 milhões de cópias vendidas, segundo o GOG, voltou a ser jogável no PC sem gambiarra. Para Jordan Mechner, criador da série, tudo começou com uma vontade simples, como ele contou à Ubisoft em 2024: “Não seria legal não ter que morrer e recomeçar tantas vezes?”
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Fonte: Ubisoft e GOG.





