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A BGS não é mais o único jogo na cidade

Pichau Arena, Gamescom Latam e CBLOL no mesmo calendário: como o mercado de eventos gamer no Brasil deixou de girar só em torno da Brasil Game Show.

Arena gamer da Pichau Arena 2026 em Joinville
Pichau Arena 2026, em Joinville (SC). Imagem: divulgação/Pichau

Durante mais de uma década, outubro tinha um único endereço para quem joga no Brasil: a Brasil Game Show, em São Paulo. Em 2026, o feriado de 12 de outubro mostra um cenário bem diferente. A 17ª BGS acontece de 9 a 12 de outubro no Distrito Anhembi. No mesmo fim de semana, a Pichau estreia seu próprio evento em Joinville, e o Rio de Janeiro recebe a final do CBLOL no sábado, dia 10.

O fã que antes tinha uma escolha óbvia agora precisa decidir para onde ir. E as marcas também.

O que mudou

A BGS ainda é um evento grande. Este ano, a Nintendo ocupa 1.000 m² com jogos ainda não lançados e a presença de Charles Martinet, a eterna voz do Mario. A SEGA traz seu maior line-up na feira, a Square Enix tem a primeira demo jogável de Final Fantasy VII Revelation na América Latina e a Activision leva Call of Duty: Modern Warfare 4 para 36 estações antes do lançamento, em 23 de outubro.

Mesmo assim, os sinais de encolhimento aparecem na cobertura especializada. O The Gaming Era aponta que a feira vem diminuindo em área, dias, grandes patrocinadores e atrações. Os números de público também caíram: a organização informou 306.798 visitantes em 2025, contra 328 mil em 2023, e não divulgou um total final para 2024. Fora a Nintendo, as grandes fabricantes de console quase não estão no pavilhão, e expor na BGS é caro numa época em que as empresas cortam verba de marketing.

A Pichau monta a própria casa

A Pichau é o exemplo mais visível dessa mudança. A varejista esteve na BGS praticamente todos os anos desde 2016, com estandes grandes e ativações o dia inteiro. Em 2026, ela não está em São Paulo: está em Joinville, com a primeira edição da Pichau Arena, de 10 a 12 de outubro no Joinville Square Garden.

Os números são ambiciosos para uma estreia:

  • mais de 200 PCs para campeonatos e free play;
  • mais de R$ 160 mil em prêmios, em torneios de CS2, LoL, Street Fighter 6, EA Sports FC 27, Clash Royale e Assetto Corsa, além de concursos de cosplay e K-pop;
  • estandes de AMD, Intel, NVIDIA, MSI, Corsair, Gigabyte e outras fabricantes de hardware;
  • expectativa de 50 mil visitantes nos três dias.

As datas coincidem com a BGS, mas a empresa rejeita a ideia de concorrência. Ao The Gaming Era, o CEO João Pichau chamou a BGS de “parceira de longa data” e disse que “o nosso público é outro”. Segundo ele, a escolha de Joinville veio da falta de um evento de grande porte no Sul, e o feriado do Dia das Crianças foi escolhido para que os pais levem os filhos.

Há também uma razão de negócio que ele mesmo citou: um evento próprio traz “mais resultados” para as marcas da empresa. Em vez de alugar espaço na vitrine de outra pessoa, a Pichau controla o público, a programação, os parceiros e as vendas.

A Gamescom Latam já tinha aberto a porta

A Pichau não abriu esse caminho sozinha. Desde 2024, a Gamescom Latam disputa com a BGS o posto de maior feira de games do país, e no mesmo endereço, o Distrito Anhembi. A edição de 2026, de 29 de abril a 3 de maio, bateu recorde com 154 mil visitantes, 17,5% a mais que no ano anterior. Teve 175 expositores de 23 países e mais de 13 mil reuniões de negócios.

Com uma grande feira no primeiro semestre e outra no segundo, as publishers passaram a escolher onde investir. Muitas acabaram priorizando a que tem a marca global da Gamescom e um foco forte em negócios.

O que isso significa para quem joga

Para o público, a fragmentação tem dois lados.

O lado bom: mais opções, inclusive fora de São Paulo. Quem mora no Sul não precisa mais viajar centenas de quilômetros para um grande evento gamer. A Pichau Arena aposta em jogar e competir, enquanto a BGS continua sendo o lugar das demos de lançamentos.

O lado ruim: cada evento fica com um pedaço das atrações. Quem quer ver tudo, como os lançamentos da Nintendo, os campeonatos de PC e a final do CBLOL, precisaria estar em três cidades no mesmo fim de semana.

E a BGS?

Ainda é cedo para decretar o fim de qualquer coisa. Historicamente, a BGS atrai gente de todo o país, e Nintendo, SEGA, Square Enix e Activision continuam apostando nela. A pergunta para 2027 não é se a BGS vai existir, mas que papel ela terá num mercado em que marcas criam seus próprios palcos e a concorrência deixou de ser exceção.

Uma coisa já está clara: em outubro de 2026, a BGS não é mais o único jogo na cidade.

Atualização (15/10/2026): o dono da Pichau explica a saída

Em vídeo publicado pelo Portal Insider em 14/10, João, dono da Pichau, contou ao streamer Bistecone por que a marca trocou a BGS por um evento próprio: “BGS tava custando muito caro pra gente. Muito caro mesmo.” Ele admite que a Pichau Arena é “um evento menor que a BGS, lógico”, mas diz que os influenciadores que iam à BGS agora vão com a Pichau. Leia a matéria completa, com a comparação de preços entre BGS e Gamescom.

Atualização (15/10/2026): posicionamento da BGS

A organização da BGS enviou ao SavePoint, em 15/10, o posicionamento abaixo, por meio de sua assessoria de imprensa, a Agência DRONE.

“A BGS 2026 proporcionou aos visitantes deste ano quatro dias de muitos games, com 18 títulos jogáveis antes do lançamento, centenas de estações de jogo e a presença de marcas consagradas do setor, como Nintendo, SEGA, Square Enix, Activision, PlayStation Tournaments, Devolver Digital, entre outras. Além disso, estiveram presentes 9 convidados internacionais – como o compositor Shota Nakama com a Video Game Orchestra –, desenvolvedores de sucesso, milhares de cosplayers credenciados e dezenas de personalidades para painéis e sessões de meet & greet.

Ao longo de suas 17 edições, o evento vivenciou muitas transformações de mercado, de cenário econômico, de perfil de consumo e de estratégias das marcas. Mesmo assim, levou aos fãs o seu melhor. A maior e mais tradicional feira de games da América Latina sabe que nem sempre o jogo é fácil, e que é preciso enfrentar todos os desafios para continuar avançando.

Em 2027, o jogo continua. De 9 a 12 de outubro, a BGS será realizada em São Paulo para levar aos gamers muitos jogos, atrações de qualidade e novidades pensadas de jogador para jogador. Independentemente dos desafios que o mercado apresenta, a paixão pelos games continua sendo o que move a BGS, e todo o time do evento já está trabalhando para que a comunidade tenha um excelente evento para se encontrar, celebrar os games e continuar fazendo história.

Os ingressos para a edição do ano que vem já estão à venda no site oficial da BGS.”

O posicionamento também foi publicado em matéria própria: BGS envia posicionamento ao SavePoint e confirma edição 2027 de 9 a 12 de outubro.

O SavePoint também procurou a Pichau para comentar e atualizará esta matéria caso haja resposta.

Correção (12/10/2026): uma versão anterior desta matéria dizia que a BGS não divulga números de público desde 2024. A organização divulgou o público de 2025; o texto foi corrigido.

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Xavier joga desde 1992 e nunca mais parou. Nascido em 1988, cresceu com um controle na mão: viu gigantes da indústria surgirem e caírem e atravessou mundos infinitos em mais de três décadas de jogatina. Fundador do SavePoint, escreve sobre lançamentos, reviews e tudo o que move a indústria dos games.

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