Plataforma da review: PC
“Paraíso dos Bons Jogos de Luta de Anime” seria um ótimo título alternativo para este jogo.
BlazBlue Cross Tag Battle é um dos melhores tag fighters de anime que existem. Ponto final.
Sou fã de jogos de luta há sabe-se lá quanto tempo. Já joguei os famosos, os nem tão famosos e até os super obscuros (sim, Critical Blow e Psychic Force, estou olhando para vocês dois). Existe, porém, uma categoria que sempre gera um pouco de polêmica em todo o gênero: os jogos de luta de anime.
Você leu direito. Os injustos, desbalanceados, malucos, cheios de loops de combos infinitos, jogos de luta de anime.
O problema é: as pessoas costumam julgar um jogo de luta de anime na hora, só porque ele é de anime, e geralmente acabam não dando uma chance ao maldito jogo. Eu era assim com um dos meus jogos de luta favoritos – aliás, uma das minhas franquias favoritas de todos os tempos, Guilty Gear.
Por que BBCTB é tão bom?
Para começar, ele é razoavelmente bem balanceado e, normalmente, o balanceamento é um grande problema nesses jogos. O elenco reúne personagens de quatro universos diferentes: BlazBlue, Under Night In-Birth, Persona 4 Arena e RWBY, da RoosterTeeth; e eles se pegam na porrada em um jogo de luta de anime muito bem executado, veloz e deliciosamente caótico.
Ele traz uma história simples, meio clichê, mas funcional, contada da forma mais japonesa possível: visual novels. Por isso, o valor da narrativa é ok, no máximo. Mas acho que levar isso em consideração na avaliação final seria muito injusto com o jogo, então vou deixá-la de fora por enquanto.
A apresentação é bem bacana. Sim, são sprites compilados de outros jogos, juntados em uma grande torta com sabor de jogo de luta de anime, mas houve trabalho nesses sprites, como redimensionamento e novas animações ─ com exceção das garotas de RWBY, claro. Elas são tão bem animadas e integradas e, surpreendentemente, combinam. E a trilha sonora é igual à ideia do jogo inteiro: uma grande mistura de todas as trilhas (com alguns remixes exclusivos deste jogo) dos respectivos universos. Mas vamos supor que você nunca jogou nenhum desses jogos: você ganha o velho rock/metal chiptune de Under Night (que me lembrou muito Darkstalkers), o power metal de BlazBlue, o estilo jazzístico e rockeiro de P4A e a vibe punk rock de RWBY. Com frequência, você vai se pegar balançando a cabeça com essas músicas mesmo sem curtir esses gêneros.
Não é grande, mas também não é pequeno. De novo, combina. Há mais uma coisa, bem pequena, mas um detalhe tão legal que acho que merece menção: a navegação. Em vez do menu padrão, em BBCTB você usa uma versão chibi de QUALQUER personagem do jogo que anda por uma área parecida com uma praça. Ali, você conversa com NPCs que representam cada opção. Embora não seja totalmente novo (já vimos isso em Dragon Ball FighterZ), é um toque legal e um detalhe refrescante nesses jogos. E, se você estiver se sentindo ranzinza e old-school, pode abrir rapidamente um menu tradicional e chato na tela.
Mas acho que a parte importante aqui é o quanto este jogo é incrível mecanicamente, certo? Embora caia na tendência de “simplificação excessiva” que vem aparecendo nos jogos de luta, ele é tão gostoso e preciso que deixei essa particularidade passar em várias ocasiões. Há cinco botões de verdade no jogo: ataques Leve e Pesado ─ que têm autocombos conforme você os aperta um certo número de vezes; Clash (um autocombo em que seu parceiro entra e ajuda você), Tag e Assist. É isso. Nada de combinações de botões para trocar de parceiro ou algo assim. E as restrições também são leves. Ao contrário de outros tag fighters, como Marvel vs. Capcom, em que você precisa escolher entre trocar ou chamar assistência, BBCTB dá a chance de transformar o cenário em um inferno vivo, com botões únicos para trocar, mesmo que seu parceiro esteja executando o golpe de assistência! E ainda há as outras mecânicas específicas, como o Resonance Blaze (mecânica de vingança com poder aumentado), os Distortion Moves atrasados (seus hypers), contra-ataque com um ataque de assistência e até os Astral Finishers (golpes de morte instantânea) pelos quais BlazBlue é famosa. Está tudo aqui, e de um jeito que é divertido de fazer ou de ver. Talvez isso afaste alguns novatos, já que às vezes senti que coisa demais acontecia na tela ao mesmo tempo, mas é tão divertido, e a simplicidade ajuda a construir muitas camadas de possibilidades para encarar uma partida. Também vale destacar que o netcode online funciona bem suave. Moro no Brasil e consegui boas partidas com gente do mundo todo, com um atraso de quadros aceitável.
Em suma, é um jogo bem decente e competente. Embora toda a temática possa ser meio cringe para quem não está acostumado ou não curte, BlazBlue Cross Tag Battle merece todo o carinho que puder receber. Sua ação ultrarrápida e a simplicidade nada boba ajudam a criar um jogo muito divertido, com um elenco e uma jogabilidade variados.
MECÂNICA – 9
AUDIOVISUAL – 7,5
DIVERSÃO – 9
Total – 8,5




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