Plataforma da review: PC
Plataforma, briga, speedrun e uma pitada de tédio.
“Nossa, que ideia legal”. Se eu ganhasse um centavo cada vez que começo uma análise de jogo indie com esse pensamento, provavelmente teria dinheiro para comprar uma Ferrari. E, de fato, Speed Brawl é uma ideia legal.
Em algum momento, se você já jogou Smash Bros. (e, consequentemente, Subspace Emissary) na vida, todos nós pensamos como seria legal se existisse um jogo de aventura/beat-em-up focado inteiramente nas mecânicas de Smash. O problema é que nossa mente tem essa tendência de fantasiar as coisas bem melhores do que elas poderiam ser.
Espero que você não tire uma conclusão errada daqui: Speed Brawl é um híbrido honesto e bem feito de plataforma e beat-em-up, com Smash Bros. em camadas e tons por todo lado, mas falha (não miseravelmente, porém) no aspecto mais importante: as mecânicas.
Antes de tudo, o jogo é muito bonito. Embora os personagens em si sejam sem graça, isso é compensado pela direção de arte. Gosto bastante desses contornos e sombras fortes ─ e eles funcionam muito bem com o estilo de arte cartunesco. O jogo todo parece um desenho animado de sábado de manhã, na verdade. Tanto que a abertura é totalmente animada, com música-tema e tudo!
A história é bem básica e o cenário, um mundo totalmente temático de steampunk em que pessoas competem socando outras pessoas (e às vezes alienígenas da Lua) enquanto correm por um percurso mortal de obstáculos enquanto outras pessoas assistem (daí o nome Speed Brawl), funciona incrivelmente bem e você não deve levar a sério, porque o jogo não leva. O sistema de diálogo estilo visual novel, hoje padrão, é onde a narrativa flui. Bom ritmo, diálogos simples ─ alguns com dublagem completa, outros só com pequenas palavras e grunhidos, ambos bem feitos ─ e um elenco um tanto adorável de personagens jogáveis e não jogáveis. Mas, de novo, não espere profundidade narrativa, relações e interações intrincadas entre os personagens, porque é a simplicidade dessas coisas que faz tudo fluir bem aqui.
Em termos de jogabilidade, o jogo se sai bem, no geral. Tem um objetivo simples: correr, em linha reta, do ponto A ao ponto D, parando nos pontos B e C para brigar e abrir caminho na porrada entre pessoas (e alienígenas), como mencionado antes. O esquema de controles simples transforma este jogo em um jogo “fácil de pegar” (isso deveria virar uma categoria) . Você não precisa decorar framedata e essas coisas. É só socar os botões de maneira quase organizada e pronto: diversão garantida!
Além disso, é um jogo de duplas. Se você estiver sozinho, escolha dois personagens e entre e saia de cena sem interrupções; chame seu parceiro para um ataque de apoio e, por que não, um cross-over infernal? Nem preciso dizer: multijogador infernal também está garantido aqui.
“Então, por que esse subtítulo?”, você pergunta. Bem, havia uma coisinha que me desanimou na hora:
A decisão absurda de forçar os jogadores a lidar com um input lag semelhante ao de jogos online para “garantir que seu jogo online e offline ‘pareça’ igual” (palavras oficiais, pessoal) é tão míope que nem sei por onde começar. Sim, você pode se acostumar com isso ─ eu me acostumei ─ mas levou um tempo e, francamente, isso transformou completamente o jogo em uma experiência insuportável. Claro, ele tem bons elementos de RPG, como o sistema de níveis que entrega uma sensação sólida e agradável de progressão à medida que você desbloqueia vantagens e melhorias para os personagens, e há a jogabilidade movida a loot, ao equipar o grupo com diferentes armas, armaduras e acessórios, o que dá uma boa camada de personalização e controle sobre o que você quer fazer com cada membro, mas falha ao chegar a níveis de “repetitividade entediante” com um bom pedaço de frustração de “input lag online forçado*”, já que você precisa de boas classificações para obter novos esquemas de cores e equipamentos melhores para sua equipe.
*[Nota do editor: Para ser justo: os desenvolvedores disseram que o jogo receberia um patch que nos permitiria desligar isso, mas desde então nenhum patch chegou.]
Speed Brawl consegue ser e não ser uma experiência agradável. O input lag online forçado e a repetitividade acabaram matando um jogo bonito com uma boa ideia. Mas, se você conseguir superar o problema do input lag, vai encontrar um jogo divertido.
Notas:
Mecânicas – 6/10
Narrativa – 7/10
Apresentação – 8/10
FINAL – 7/10




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