Quem viveu a época lembra do CD prateado do primeiro PlayStation e das tardes na locadora escolhendo jogo pela capa. Pois o homem que criou o console, Ken Kutaragi, acha que o apego ao disco físico ficou para trás. Em entrevista ao site britânico VGC durante o evento Game Republic New Horizons, na Inglaterra, ele comentou o plano da Sony de parar de fabricar discos para os novos jogos de PlayStation.
O que ele disse
Kutaragi disse entender a frustração de quem não quer abrir mão da caixinha na estante: para ele, o disco virou uma metáfora para a ideia de “ter” um jogo. Mas, na visão dele, a resistência pode ser “uma questão de mentalidade”. Ele comparou com os celulares: como quase todo mundo está conectado, ninguém espera mídia física, porque confia que o conteúdo vai continuar com a pessoa. Para ele, manter os discos não faz sentido econômico.
Ele também sugeriu que a liderança atual enxerga o PlayStation de outro jeito, como uma plataforma de conteúdo, e lembrou que a Sony Interactive Entertainment contratou muita gente vinda da Gaikai e de outras empresas de streaming. Em outra conversa, com o site The Game Business, foi além: disse que serviços de IA rodando em servidores remotos podem um dia tornar os consoles desnecessários.
O plano da Sony
Em 1º de julho, a Sony anunciou que vai parar de produzir discos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. Jogos já lançados em disco e os que saírem antes dessa data não são afetados. A empresa justificou com o comportamento dos jogadores: segundo seus resultados, o digital já respondia por 85% das vendas de jogos completos no PS4 e no PS5. Na apresentação de resultados seguinte, o diretor financeiro reafirmou o plano.
Vale lembrar que Kutaragi deixou a Sony em 2007, então é a opinião dele, não a posição oficial da empresa. E, para quem coleciona caixinha desde os tempos da locadora, a discussão está longe de acabar.
Onde comprar
Fonte: VGC, The Game Business e Sony Interactive Entertainment.





