Entre os estandes de jogos da Brasil Game Show 2026, um dos que mais chamam a atenção não vende um jogo, e sim uma ferramenta para criá-los. A Tripo AI está pela primeira vez na feira, no estande PC018 do Distrito Anhembi, mostrando ao vivo o Tripo P2.0, seu novo modelo de inteligência artificial que transforma um texto ou uma imagem em um modelo 3D pronto para usar em jogos. A SavePoint passou pelo estande e viu a ferramenta funcionando de perto.

O que é a Tripo AI

A Tripo foi fundada em 2023 por pesquisadores das áreas de inteligência artificial e computação gráfica e se dedica a um nicho específico: modelos de IA treinados nativamente em 3D, e não adaptados a partir de geradores de imagem. A empresa oferece dois produtos principais: o Tripo Studio, um editor no navegador voltado a artistas e desenvolvedores, e a Tripo API, que permite a estúdios e aplicativos integrarem a geração 3D aos próprios sistemas.

Os números divulgados pela empresa impressionam: mais de 6,5 milhões de criadores, cerca de 90 mil desenvolvedores usando a API e quase 100 milhões de assets gerados. Em setembro, a Tripo anunciou uma rodada de investimento de cerca de 3 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 446 milhões), liderada pela MPCi e com a participação de empresas de games como Perfect World e 37 Interactive Entertainment. Além dos jogos, a tecnologia também é usada em realidade virtual, manufatura e robótica.

P2.0: malha em quadriláteros, o que muda na prática

Até aqui, praticamente todo gerador 3D por IA entregava modelos feitos de triângulos, com uma malha irregular. Isso funciona para uma imagem estática, mas atrapalha qualquer uso profissional: personagens deformam mal quando animados, e o artista precisa refazer a malha à mão, um processo chamado retopologia, que pode consumir horas por modelo.

O grande trunfo do P2.0, lançado oficialmente em setembro, é gerar malhas em quadriláteros (quad mesh) de forma nativa, com o fluxo de arestas que um modelador experiente usaria. Segundo a Tripo, é o primeiro modelo de IA do setor a fazer isso. Os principais recursos são:

  • Quad mesh nativa com até 25 mil faces, ou malha triangular com até 50 mil faces;
  • Várias versões a partir de um único prompt, com até quatro variações em diferentes contagens de polígonos;
  • Mesh Edit, que permite selecionar uma região do modelo (uma mão, uma arma, um capacete) e gerar só aquela parte de novo, sem mexer no resto;
  • Smart UV, que faz o mapeamento UV com um clique e deixa o modelo pronto para receber texturas;
  • Visualização de frente, costas e laterais para conferir o resultado antes de exportar.

Do prompt ao personagem animado

O P2.0 é a novidade, mas o Tripo Studio cobre o processo inteiro. Dá para começar com uma descrição em texto ou com uma imagem de referência, gerar texturas PBR por IA e usar o auto rigging, que cria o esqueleto do personagem e o deixa pronto para animação, com uma biblioteca de mais de 100 animações. Os modelos podem ser exportados em GLB, FBX, OBJ e STL (este último útil para impressão 3D), e há plugins para Blender, Maya, Unity e Unreal Engine, que levam o asset direto para a cena do projeto.

LEBOT: um jogo de luta em que você vira o personagem

Além de testar o Studio, quem visita o estande pode jogar LEBOT, um jogo de luta em estilo arcade feito com a API da Tripo. O jogo tira uma foto do jogador e, em segundos, transforma essa foto em um lutador 3D jogável. LEBOT venceu o prêmio Top Innovation Award do programa Prompt to Play, da segunda edição do Tripo Gameshub, e é uma boa demonstração do que a geração 3D em tempo real pode trazer para dentro dos próprios jogos.

Para quem a Tripo faz sentido

O público mais óbvio são os estúdios independentes, inclusive os brasileiros, que muitas vezes têm poucas pessoas para produzir centenas de objetos de cenário, props e personagens secundários. Gerar uma base em segundos e partir direto para o refinamento pode encurtar bastante a fase de protótipo. Criadores de mods, de jogos no Roblox, de projetos em realidade virtual e de impressão 3D também entram na lista.

Vale manter os pés no chão: a ferramenta acelera o trabalho, mas não substitui a direção de arte. Personagens principais e peças de destaque continuam pedindo o olhar de um artista, e o uso de IA na arte de jogos ainda gera debate na comunidade. A proposta da Tripo é justamente tirar do caminho a parte mais repetitiva e técnica, para que o artista gaste o tempo onde ele faz diferença.

Como testar

O Tripo Studio funciona no navegador, pelo site tripo3d.ai, e oferece créditos gratuitos para quem quer experimentar antes de assinar um plano pago. Quem estiver na BGS 2026 pode testar a ferramenta e jogar LEBOT no estande PC018 até domingo, 12 de outubro. Para ver o que mais está rolando na feira, confira o nosso especial da BGS 2026.

Fonte: Tripo AI.

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