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Entrevista: Mario Nötzold conta como faz sozinho Dadi Kingdom, o RPG em que o rei julga o povo toda manhã

O alemão Mario Nötzold conta como faz sozinho Dadi Kingdom, RPG na Unreal Engine 5 em que o rei julga o povo; demo grátis e acesso antecipado em 7/12.

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Cena de Dadi Kingdom
Imagem: Dadi Entertainment

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Em Dadi Kingdom, você é o rei: toda manhã alguém aparece diante do trono e você decide entre soltar, multar ou mandar para a masmorra, e cada sentença volta para você. Fora das muralhas, o próprio rei luta com espada, magia ou arco, manda dragões em missões e precisa sobreviver às noites. O RPG de ação de fantasia medieval é feito por um desenvolvedor solo, o alemão Mario Nötzold, de Würzburg, na Unreal Engine 5. A demo grátis está na Steam, o acesso antecipado começa em 7 de dezembro, e o jogo tem textos em 13 idiomas, incluindo português do Brasil.

O jogo apareceu no nosso especial com as demos do Steam Next Fest, e eu quis saber mais sobre como alguém faz sozinho um RPG de reis. Conversei com o Mario por e-mail.

A entrevista

Quem é o Mario, e como Dadi Kingdom começou em Würzburg?

“Sou um cara de Würzburg que nunca deixou de querer fazer o tipo de jogo com que cresceu. De dia, tenho minha própria pequena empresa; de noite, sou rei, pelo menos na Unreal Engine. Dadi Kingdom começou como uma piadinha: um jogo de celular em que pessoas bobas fazem perguntas bobas para você. Uma noite, dei uma sala do trono a quem perguntava, depois um castelo em volta, depois um reino em volta do castelo. Em algum momento percebi que não estava mais fazendo um jogo de celular.”

Toda manhã o rei julga alguém no trono. De onde veio essa ideia, e como as sentenças voltam para o jogador?

“De uma pergunta simples: o que um rei faria o dia inteiro? Não ficaria só sentado. Ele ouviria o povo, decidiria o destino das pessoas e depois sairia (bem, a pé, não tem cavalo) para resolver a bagunça pessoalmente. Seus veredictos mudam o que o povo sente por você, e isso muda seu ouro, seus impostos e quem está disposto a ajudar. E, durante o acesso antecipado, as pessoas que você julgou vão começar a reaparecer. O ladrão que você perdoou pode salvar sua vida na floresta. Ou te roubar de novo.”

Como é fazer um RPG de ação sozinho na Unreal Engine 5? Qual foi a parte mais difícil?

“É como ser um estúdio inteiro que nunca faz reunião. Você é o programador, o animador, o cara do som, o testador e o departamento de marketing, às vezes na mesma hora. A parte mais difícil não é uma função específica, é que tudo está conectado. Mude a duração de um dia e de repente a economia quebra, os eventos noturnos chegam cedo demais e um dragão volta de uma missão antes de partir. Não tem ninguém para dizer “a culpa não é sua”, então você conserta e segue em frente.”

Dragões em missões, sobreviver às noites, ter um herdeiro: como esses sistemas se encaixam?

“São todos partes da mesma pergunta: você consegue manter um reino vivo? De dia, você governa: veredictos, ouro, decisões. Seus dragões são como seus funcionários mais perigosos: você os manda em missões e torce para que voltem com saque, e não com más notícias. Quando a noite cai, o reino fica hostil e você precisa defender o que construiu. E como até um rei envelhece, você precisa de um herdeiro. Cada sistema alimenta o próximo, e é isso que faz um único dia em Dadi Kingdom parecer uma história.”

Por que localizar para 13 idiomas, incluindo o português do Brasil, sendo um desenvolvedor solo?

“Porque um jogo sobre julgar pessoas vive das palavras. Se você não entende por que um fazendeiro está implorando por piedade, a decisão inteira perde o sentido. Prefiro passar minhas noites em traduções a deixar os jogadores perderem as piadas e o drama. E o Brasil foi uma escolha fácil: os jogadores brasileiros estão entre os mais apaixonados do mundo e merecem jogar no próprio idioma.”

O que esperar do acesso antecipado em 7 de dezembro, e o que vem depois?

“Uma história completa e jogável, com toda a linha principal de missões, não uma demo técnica. Depois disso, o reino continua crescendo: mais missões, mais consequências para seus veredictos, mais minijogos e muito polimento com base no que os jogadores me disserem. Sou uma pessoa só, então a comunidade é basicamente meu segundo desenvolvedor. Quanto mais retorno eu receber, melhor o jogo fica.”

Algum recado para os jogadores brasileiros?

“Obrigado! Experimentem a demo grátis, julguem algumas pessoas e me digam com sinceridade o que acharam, de bom ou de ruim. Eu leio tudo. E, se muita gente jogar, talvez o próximo criador a sentar no trono de Dadi Kingdom seja brasileiro.”

Fonte: entrevista do SavePoint com Mario Nötzold (Dadi Entertainment), por e-mail.

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Fundador e editor-chefe

Xavier joga desde 1992 e nunca mais parou. Nascido em 1988, cresceu com um controle na mão: viu gigantes da indústria surgirem e caírem e atravessou mundos infinitos em mais de três décadas de jogatina. Fundador do SavePoint, escreve sobre lançamentos, reviews e tudo o que move a indústria dos games.

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