Sou fã de Patapon há muito tempo, e foi por isso que eu quis tanto conversar com o time de Ratatan. O jogo é a nova criação da Ratata Arts, com desenvolvimento da TVT e publicação da Game Source Entertainment: um roguelike de ação com ritmo, em rolagem lateral, com co-op online para até quatro pessoas e mais de 100 personagens brigando na tela ao mesmo tempo. Ele saiu em meados de outubro para PC (Steam), PS5, Nintendo Switch 2 e Xbox.
Por e-mail, a Ratata Arts respondeu sobre o que mudou desde Patapon, o desafio técnico de sincronizar ritmo online, a campanha no Kickstarter e a pergunta que eu mais queria fazer: o português do jogo é o de Portugal ou o do Brasil? As respostas foram traduzidas do inglês, com base no original em japonês.
A entrevista
O que vocês mantiveram do sistema de comandos rítmicos de Patapon, e o que precisou mudar para a ação lateral e o co-op online?
“A maior mudança de design de Patapon para Ratatan é que agora o jogador se move livremente e faz ações enquanto comanda as tropas com comandos de ritmo. A perspectiva mudou: em vez de guiar os personagens como uma divindade, você se projeta em Ratatan e vive uma aventura dentro daquele mundo.”
“Como a ação pode deixar os controles mais complicados, tomamos muito cuidado para que o jogador consiga se concentrar no ritmo. O melhor exemplo é a entrada de comandos. Em Patapon, a frase ‘Pata Pata Pata Pon’ era fácil de lembrar pelo som e ajudava a visualizar o avanço. Em Ratatan, mantendo essa ligação entre som e ação, evoluímos para um comando mais simples e intuitivo, ‘Ratta Ratta Ratta-tta’, que se faz apertando o mesmo botão três vezes.”
“Com a liberdade de ação, no multijogador cada um decide o próprio posicionamento e movimentação, o que aumenta muito a estratégia. Também quisemos apagar a fronteira entre jogar sozinho e jogar online, para que as duas formas pareçam a mesma aventura. E os oito Ratatans trouxeram uma grande mudança na expressão dos personagens. Esperamos que cada jogador encontre o seu favorito.”
O co-op online aceita até quatro pessoas e mais de 100 personagens lutando ao mesmo tempo. Qual foi o maior desafio técnico?
“O mais difícil foi equilibrar a sincronização online, incluindo o ritmo, com a renderização, enquanto um número enorme de personagens e ataques se move ao mesmo tempo. Além dos quatro Ratatans e de muitos Cobuns, aparecem na mesma tela vários inimigos, projéteis e efeitos de ataque.”
“Durante o desenvolvimento, precisávamos conferir o tempo todo se esses movimentos estavam sincronizados online. Num jogo de ritmo, isso é ainda mais crucial. No visual, queríamos manter a graça de um roguelike, em que os ataques ficam mais fortes e os efeitos mais espetaculares, sem pesar no processamento. Foi difícil otimizar sem perder a animação e a empolgação da tela.”
O projeto começou no Kickstarter. Como os apoiadores moldaram o jogo?
“Primeiro, fizemos questão de mostrar o progresso regularmente. A meta era apresentar uma boa quantidade de trabalho todo mês, o que acabou acelerando o desenvolvimento. Também fizemos duas betas fechadas para os apoiadores, e ter o objetivo claro de preparar uma versão jogável acelerou o jogo a tomar forma.”
“Quando ficávamos em dúvida sobre uma decisão, mostrávamos, deixávamos as pessoas testarem e usávamos a reação para definir o caminho. Os apoiadores reduziram a incerteza no time e nos permitiram continuar, mesmo sendo pequenos.”
“Por outro lado, ficamos muito aquém na operação e no suporte do Kickstarter para os apoiadores do mundo todo. Lamento sinceramente pelo transtorno e pela preocupação que isso causou a todos que nos apoiaram.”
O que a parceria com a TVT e a Game Source Entertainment trouxe ao projeto?
“Como time de desenvolvimento, a TVT transformou o conceito de Ratatan em um jogo jogável. A publisher, a GSE, nos apoia em várias frentes, como eventos pelo mundo, localização e o desenvolvimento das versões de console. Não é exagero dizer que, sem a GSE, Ratatan não seria o que é hoje.”
Ratatan já saiu para Steam, PS5, Nintendo Switch 2 e Xbox. O que vem agora: atualizações, conteúdo novo, eventos?
“Primeiro, vamos corrigir bugs e ajustar o balanceamento com urgência. Ainda há muitas promessas feitas aos apoiadores do Kickstarter que não cumprimos. Enquanto trabalhamos nelas, queremos adicionar novos recursos de jogo e melhorar a experiência do usuário.”
“Dependendo das vendas, também esperamos planejar mais conteúdo, como DLCs, para que todos aproveitem ainda mais o mundo de Ratatan.”
Ratatan já tem português. É o de Portugal ou o do Brasil? Vocês considerariam uma versão em português brasileiro?
“Hoje temos português europeu. Adicionar o português brasileiro seria um peso grande para o nosso time atual, então não podemos fazer promessas concretas neste momento.”
“Mas, se ainda mais pessoas no Brasil passarem a amar Ratatan, isso seria um grande incentivo para considerarmos esse suporte! Eu ficaria muito feliz se vocês ajudassem a levar esta entrevista ao maior número de pessoas possível.”
Quer deixar um recado para os jogadores brasileiros?
“Jogadores do Brasil, estão me ouvindo? Criamos um jogo muito divertido bem embaixo dos seus pés! Adoraríamos levar a música alegre de Ratatan até vocês. Temos certeza de que vão amar essa música, esse mundo e esse elenco de personagens. Venham com a gente e aproveitem a aventura no ritmo!”
Onde jogar
Na Steam brasileira, Ratatan custa R$ 114,99 (preço consultado em 21/10), com textos em português de Portugal. Se você quer o português do Brasil, o recado do estúdio foi claro: quanto mais gente jogar por aqui, maior a chance. Meu obrigado à Ratata Arts e à Game Source Entertainment pelas respostas.
Onde comprar
Fonte: entrevista por e-mail com a Ratata Arts.





