Contemplem, meus caros, o console mais teimoso da geração: enquanto a Sony fecha brechas a cada duas semanas, a comunidade de homebrew do PS5 transformou o aparelho numa máquina que roda quase tudo. Segundo o Android Authority, um PS5 desbloqueado agora executa jogos de Android sem precisar de Linux, roda jogos de PC por dois lançadores e ainda recebeu uma versão experimental de emulador de Switch 2, a mesma frente que mostramos no início do mês com Pokémon Pokopia. O detalhe que muda tudo: nada disso funciona em um console atualizado.
Hydroid: Android sem Android
A novidade de verdade é o Hydroid, projeto de código aberto (licença GPL-3.0) do desenvolvedor ZiZc3, publicado no GitHub. Em vez de iniciar um sistema Linux inteiro ou uma máquina virtual, ele carrega as bibliotecas ARM64 do próprio jogo, traduz o código para x86-64 em tempo real com um recompilador dinâmico (o dynarmic) e responde, função por função, às chamadas que o jogo faria ao Android: biblioteca C, kernel, gráficos, som, controle DualSense e armazenamento. Não existe uma imagem do Android por baixo.
Os números, meus caros, são deliciosamente concretos: Subway Surfers, Geometry Dash Lite, Crossy Road, Sonic Dash, Sonic Boom, Shadow Fight 2, Jetpack Joyride, Temple Run 2, Fruit Ninja e Cut the Rope aparecem como “jogáveis” na lista oficial do projeto, e a trilogia Infinity Blade tem um porte à parte. Só rodam jogos de 64 bits (arm64), e motores como Unity, Cocos2d-x, Godot e Unreal já são atendidos. Os pacotes do Hydroid não incluem os jogos: o usuário precisa fornecer a sua própria cópia de cada um. Jogos feitos para celular na vertical continuam na vertical, numa “tela de celular” no meio da TV.
Jogos de PC e Switch 2, com asteriscos
Na frente do PC, dois lançadores amadureceram: o Playden entra na conta Steam do usuário para instalar e gerenciar jogos com ícones na tela inicial e sincronização de saves na nuvem, e o PC5 instala jogos de PC offline a partir de um pendrive exFAT, com suporte a gatilhos adaptáveis. Os dois usam uma pilha Wine nativa no console. Já o EglantinePS5 é um porte experimental, em alpha, de um emulador derivado do Eden com estrutura inicial para o Switch 2: promete até 4x de resolução, vibração e sensores do DualSense, e relatos no Reddit dizem que Pokopia funciona, enquanto Mario Kart World e Splatoon Raiders não.
O preço da façanha
Na prática, isso significa: tudo exige um PS5 desbloqueado com firmware 13.60 ou anterior, falhas que a Sony já corrigiu; a PSN pede pelo menos a 14.10 para login, e GTA 6 deve exigir a 14.22, como contamos na cobertura da última atualização de segurança do PS5. Quem mexe no console arrisca banimento da conta e do aparelho, perda de garantia, console preso num firmware velho e arquivos falsos com malware usando o nome desses projetos. O SavePoint informa que isso existe, mas não indica onde baixar nem como fazer.
O caminho legal continua simples: os jogos de celular estão nas lojas do Android e do iOS, os de PC na Steam e o Switch 2 é o único lugar oficial para Pokopia e Mario Kart World. E quem gosta de engenharia do lado certo da lei encontra projetos de sobra no nosso guia de jogos portados para navegador e PC. O mundo não está pronto para um PS5 rodando Subway Surfers… e eu adoro.
Onde comprar: PlayStation 5 Slim no Mercado Livre
Fontes: Android Authority e Hydroid.





