Nem toda notícia de games é sobre trailer ou pixel bonito, e essa mostra bem como a política pode mexer no preço do nosso hobby. Em 13 de agosto de 2019, o governo de Donald Trump, em plena guerra comercial com a China, publicou uma lista de produtos que ficariam fora da nova tarifa de importação de 10% sobre mercadorias chinesas até 15 de dezembro. Os consoles de videogame estavam nessa lista, ao lado de smartphones, notebooks, monitores e alguns brinquedos.
O que chama atenção é o motivo do adiamento: segundo o próprio governo americano, a ideia era não pesar no bolso do consumidor durante as compras de fim de ano. Para Sony, Microsoft e Nintendo, que fabricavam boa parte dos aparelhos na China, foi um alívio temporário, porque depois de 15 de dezembro a cobrança passaria a valer.
As três fabricantes já tinham se manifestado juntas em junho de 2019, numa carta enviada ao governo dos Estados Unidos. Nela, diziam: “Embora apreciemos os esforços do governo dos Estados Unidos para proteger a propriedade intelectual e preservar a liderança em tecnologia de ponta, o dano desproporcional causado por essas tarifas a consumidores e empresas vai enfraquecer, e não fazer avançar, esses objetivos.” Dá para ver o tamanho da preocupação: não é todo dia que as três rivais assinam um texto em conjunto.
O que veio depois
A história ainda teve mais voltas. Em 23 de agosto, Trump anunciou que a alíquota prevista para 15 de dezembro subiria de 10% para 15%. Só que, em 13 de dezembro de 2019, dois dias antes do prazo, Estados Unidos e China anunciaram um acordo inicial pelo qual as novas tarifas marcadas para 15 de dezembro não seriam aplicadas. A chamada fase um do acordo comercial foi assinada em janeiro de 2020. Na prática, os consoles escaparam da taxação prevista para aquele fim de ano. Um detalhe curioso: a guerra comercial seguiu viva nos anos seguintes, e as tarifas sobre produtos chineses voltaram a subir em 2025, no segundo mandato de Trump.
Fonte: Eurogamer.





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