Por Samuel R. Auras

Nessa época de remakes e remasterizações, tem exemplos ruins e exemplos bons. Crash Team Racing Nitro Fueled, do ano passado, foi um exemplo super positivo pra mim – um jogo que eu adoro desde criança, que eu jogava incessantemente, e que foi transformado em algo sensacional. Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 segue a mesma linha, pegando tudo que o original de Playstation 1 tinha de bom e trazendo perfeitamente para a atualidade.

THPS 1+2 é o ápice do jogo de esporte feito pra ser divertido, como um jogo de skate precisa ser. Jogabilidade arcade que, muitas vezes, deixa de lado o famigerado realismo, tão presente em tantos jogos hoje em dia, para ser algo puramente legal de jogar. Seu personagem voa pelas rampas, faz manobras absurdas com facilidade, executa qualquer movimento com o toque de um botão. Os controles são precisos e intuitivos e te permitem fazer coisas incríveis desde o primeiro momento.

O jogo conta com um excelente modo de criação de personagem, com centenas e mais centenas de opções de customização, de tatuagens a tênis, meias e bonés, além de, claro, trocentos skates diferentes pra escolher. E você pode alterar a cor de tudo, deixando o seu personagem como você quer. E aí você começa a campanha do jogo, e vai coletando pontos para fazer melhorias no seu personagem, quase como um RPG: será que coloco mais um ponto em “velocidade” ou em “altura de pulo”? Será que prefiro melhorar meu equilíbrio na execução de um manual ou de outra manobra? E você sempre pode desfazer suas escolhas e redistribuir seus pontos – novamente mostrando que o jogo não está muito preocupado em ser algo chato e irritante, mas sim um jogo arcade que tem apenas a diversão como objetivo.

Um ponto surpreendente desse jogo é o número de modos de jogo. Jogando sozinho, você tem as campanhas equivalentes aos primeiros dois jogos da franquia Tony Hawk, somando um total de 19 pistas. Algumas delas são competições pela melhor nota – basta fazer manobras incríveis e vencer as notas dos oponentes controlados pelo jogo. Na maioria das pistas, porém, você tem na verdade um parque de diversões com vários objetivos, como coletar as desafiadoras fitas VHS – uma por pista, sempre bem à vista mas difíceis de serem alcançadas. Em uma das fases você logo vê uma grande fonte de água bem no meio, e um dos objetivos é simplesmente “drenar a fonte” – e aí você explora cada canto do mapa pra descobrir como fazer. E tudo é muito divertido, cada mapa cheio de segredos, áreas escondidas, easter eggs, e todas com sua personalidade própria. Uma favorita é o Hangar, na qual você pode fazer manobras por cima de um helicóptero, e partes de avião… É um mapa que, a princípio, parece pequeno, mas que é abarrotado de segredos por todos os cantos.

Se você cansar de jogar sozinho (acho difícil), o jogo tem um expansivo modo multiplayer, tanto local quanto online. São vários modos de jogo, não apenas “faça a melhor pontuação”, além de várias leaderboards pra você comparar sua performance com a dos seus amigos ou tentar ser o melhor do mundo. Aqui vem a minha única reclamação quanto ao jogo – eu tive uma experiência um pouco negativa algumas (poucas) vezes durante o online, com lag em algumas partidas. Foi em uma minoria, mas incomodou um pouco. Esse é literalmente o único defeito do jogo pra mim.

Permeando todos os modos de jogo estão vários (mais de 700) desafios secundários, desde alguns bem simples como “obtenha X pontos em 2 minutos”, até outros mais complexos que requerem fazer uma manobra específica em um local específico de uma certa fase usando tal personagem. São completamente opcionais, mas vão te deixar com bastante coisa pra fazer se você quiser. E tudo, absolutamente tudo que você faz no jogo, desde simplesmente jogar uma partida casual até buscar religiosamente cada desafio, te dá grana pra gastar na loja do jogo, comprando novas roupas, skates, etc, e experiência, que eleva o seu nível de jogador e abre cada vez mais possibilidades.

Se você for que nem eu, vai ficar ainda mais feliz sabendo que existe um sensacional modo de criação de parque. Você pode montar a própria pista de skate e publicá-la online, e as opções são impressionantes. O criador te dá realmente muito poder, e tudo que você puder imaginar em uma pista, o jogo te deixa fazer. Várias peças são de tamanhos e formatos completamente editáveis, o que dá uma liberdade absurda de criação – e se você duvidar, basta ver as melhores criações de outros jogadores. Tem coisas sensacionais.

Como se tudo isso não bastasse, o jogo é lindo e roda sem quaisquer defeitos a 60 fps, o que é ótimo pra um jogo desse tipo, que requer precisão nos comandos. Eu sinceramente não sou a pessoa que fica reparando em qualidade gráfica, resolução, ou algo do tipo, então o que posso te dizer é, simplesmente, que o visual e performance do jogo não deixa a desejar em nada. Aliás, não só o visual, mas também a parte sonora. Tony Hawk foi uma das séries que formou meu gosto musical, junto com outras como Need for Speed e Burnout. Todas as músicas originais estão aqui, mais outras que combinam perfeitamente com o jogo.

Embora nossa memória nos faça lembrar de certos jogos antigos com carinho, muitas vezes a realidade é diferente, e o jogo talvez tivesse defeitos que, na época, nem tenhamos percebido. É aí que entram os remakes bem feitos: eles trazem para a realidade um jogo da maneira que você lembra que ele era antigamente, e não necessariamente da maneira que ele realmente foi. Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 se propõe a fazer isso, e faz perfeitamente. Nesse mundo que precisa de “notas”, me obrigo a tirar meio ponto pelos problemas que tive no online, mas sinceramente, não há nada além disso pra falar de negativo desse jogo. Recomendadíssimo.

Narrativa: –
Mecânica: 9,0
Audiovisual: 10,0

MÉDIA: 9,5

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