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RecompLauncher reúne mais de 200 recompilações de jogos de console para PC, de Bloodborne a Zelda; entenda como funciona e os riscos

O RecompLauncher reúne mais de 200 recompilações de fãs, como Bloodborne e P.T., que rodam no PC com a sua cópia. Como funciona, riscos e opções legais.

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Caçador enfrenta Ludwig em cena oficial de Bloodborne: The Old Hunters
Imagem: Sony Interactive Entertainment

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Nos tempos da locadora, jogo de console era jogo de console: quem quisesse Bloodborne no PC ia esperar sentado, e até hoje espera, porque a Sony nunca lançou uma versão oficial. Pois é exatamente esse tipo de vazio que a cena de recompilações de fãs anda preenchendo, e agora ela ganhou um ponto de encontro: o RecompLauncher, um catálogo com mais de 200 projetos que reconstroem jogos de console como programas nativos para Windows, Linux e Mac.

O que é o RecompLauncher

O site entrou no ar no fim de outubro e foi noticiado por publicações como TweakTown (27/10) e HotHardware (28/10). Ele vem da mesma equipe da RecompStore, uma loja de homebrew para PS5 desbloqueado, e o projeto é assinado pelo desenvolvedor conhecido como elripalda. No começo era só um diretório que apontava para a página de cada projeto no GitHub; agora também existe um app em beta, gratuito e de código aberto (licença GPL v3), para Windows e Linux, que instala, atualiza e organiza os ports e faz backup dos saves. A versão para Mac está prometida.

A regra da casa é uma só, repetida em todas as páginas: nenhum arquivo de jogo é hospedado ali, nem nos repositórios para onde o catálogo aponta. Cada projeto exige a sua própria cópia do jogo original, o famoso “traga seu próprio disco”. O site também diz não ter afiliação com Sony, Microsoft, Nintendo ou qualquer editora.

Recompilação não é emulação

Um emulador imita o console inteiro enquanto o jogo roda, traduzindo as instruções na hora, e isso custa desempenho. A recompilação estática faz esse trabalho antes: o código do jogo original é traduzido de uma vez para um programa de PC, que roda sem a camada de emulação. Já a decompilação vai além e reconstrói um código-fonte legível, que pode ser compilado de novo para qualquer sistema. Nos dois casos, as fases, os modelos, as texturas e os sons continuam vindo do jogo que você tem. O resultado costuma ganhar o que o original nunca teve: widescreen, alta resolução, mods e quadros por segundo destravados.

Os destaques do catálogo

A lista mistura clássicos e surpresas: Bloodborne (PS4), com DLSS, FSR e taxa de quadros destravada; P.T. (PS4), o teaser de Silent Hills; GTA: Vice City Stories (PSP/PS2); Mario Strikers Charged (Wii, a partir de decompilação); Ship of Harkinian (Ocarina of Time); Dusklight (Twilight Princess); Unleashed Recompiled (Sonic Unleashed); SpartanPort (God of War III Remastered); Zelda 64: Recompiled (Majora’s Mask); além de versões de Castlevania: Symphony of the Night, Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi 3, Luigi’s Mansion, Mega Man X4, Rush 2 e Super Street Fighter II Turbo HD Remix.

Dois desses nomes são velhos conhecidos aqui: Zelda 64: Recompiled, lançado em maio de 2024, que já mostramos na série Fãs vs. versões oficiais, e Unleashed Recompiled, de março de 2025, o projeto que abriu a porta para as recompilações de Xbox 360. Nem tudo no catálogo está pronto: várias páginas marcam o estado do port com relatos de jogadores, e algumas indicam problemas. Vários projetos se dizem feitos com ajuda de IA. A ideia lembra o Quiver Launcher, que faz algo parecido com ports de Nintendo 64, mas em escala bem maior.

Ter o jogo não é ter permissão

O modelo “traga sua cópia” deixa o projeto longe da pirataria direta, mas não resolve tudo. Ter um disco dá o direito de jogar aquela cópia, não de redistribuir o jogo, e o código recompilado nasce do trabalho de outra empresa. Para alguns títulos, a cópia precisa ser extraída de um console desbloqueado (o port de Bloodborne pede uma cópia descriptografada do PS4), e contornar a proteção de um console viola os termos de uso e, em alguns países, a lei.

As editoras costumam reagir. Em julho de 2018, a Konami tirou do ar um remake de P.T. para PC feito por um fã de 17 anos, nove dias depois do lançamento (e ofereceu um estágio a ele). Em janeiro de 2025, a Sony enviou um pedido de remoção por direitos autorais contra o patch de 60 quadros de Bloodborne feito pelo modder Lance McDonald. Em 2021, a Take-Two processou os autores das engenharias reversas de GTA III e Vice City, e a Nintendo já derrubou vídeos e páginas do port de Super Mario 64 para PC.

Os riscos para quem joga

É software não oficial, sem suporte de ninguém além de voluntários: pode quebrar, perder saves ou sumir após uma notificação. O instalador do beta ainda não tem assinatura digital, então o Windows exibe um alerta, e isso abre espaço para golpes: já existem nomes quase idênticos em outros domínios e repositórios, e um arquivo baixado de um endereço errado pode trazer malware. O próprio app confere cada download contra o checksum publicado pelo desenvolvedor no GitHub, mas a regra de ouro vale para tudo: só a fonte oficial, nunca links de terceiros.

Como jogar de forma legal

Bloodborne segue no PS4 (e roda no PS5): R$ 114,90 na PS Store, com 50% de desconto (R$ 57,45) quando conferimos em 03/11, e está no catálogo do PS Plus Extra. God of War III Remastered custa R$ 79,90 na PS Store e está no PS Plus Deluxe. Mega Man X4 faz parte do Mega Man X Legacy Collection no Steam (R$ 89,00), tema do nosso Fãs vs. versões oficiais de hoje. Super Street Fighter II Turbo está no Street Fighter 30th Anniversary Collection (R$ 129,00 no Steam); a versão HD Remix saiu das lojas.

Ocarina of Time e Majora’s Mask estão no Nintendo Switch Online + Pacote de Expansão, também no Switch 2. Sonic Unleashed roda no Xbox One e no Xbox Series X|S por retrocompatibilidade, com 60 quadros. Castlevania: Symphony of the Night existe oficialmente no Castlevania Requiem (PS4) e no celular. A saga Tenkaichi continua em Dragon Ball: Sparking! ZERO, e o futebol do Mario em Mario Strikers: Battle League, no Switch. Já P.T. não tem caminho legal: a Konami o retirou da PS Store em 2015, e GTA: Vice City Stories nunca saiu oficialmente no PC.

Fontes: RecompLauncher e as páginas dos projetos; TweakTown e HotHardware; The Verge (Sony e o patch de Bloodborne, 2025); PlayStation Store e Steam (preços de 03/11).

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Retrô, remasters e remakes

Zé Cartucho garante que ainda tem a carteirinha da locadora do bairro e uma fita de Super Mario World que só funciona se soprar duas vezes. Cobre remasters, remakes, coletâneas e aniversários de séries, sempre lembrando de onde cada jogo veio. Se você pergunta a idade dele, ele responde em gerações de console.

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